Batidas na porta da frente
É o tempo
Eu bebo um pouquinho
Prá ter argumento
Mas fico sem jeito
Calado, ele ri
Ele zomba
Do quanto eu chorei
Porque sabe passar
E eu não sei
Num dia azul de verão
Sinto o vento
Há fôlhas no meu coração
É o tempo
Recordo um amor que perdi
Ele ri
Diz que somos iguais
Se eu notei
Pois não sabe ficar
E eu também não sei
E gira em volta de mim
Sussurra que apaga os caminhos
Que amores terminam no escuro
Sozinhos
Respondo que ele aprisiona
Eu liberto
Que ele adormece as paixões
Eu desperto
E o tempo se rói
Com inveja de mim
Me vigia querendo aprender
Como eu morro de amor
Prá tentar reviver
No fundo é uma eterna criança
Que não soube amadurecer
Eu posso, ele não vai poder
Me esquecer
Respondo que ele aprisiona
Eu liberto
Que ele adormece as paixões
Eu desperto
E o tempo se rói
Com inveja de mim
Me vigia querendo aprender
Como eu morro de amor
Prá tentar reviver
No fundo é uma eterna criança
Que não soube amadurecer
Eu posso, e ele não vai poder
Me esquecer
No fundo é uma eterna criança
Que não soube amadurecer
Eu posso, ele não vai poder
Me esquecer
<3 <3 <3 <3
O quanto eu te falei que isso vai mudar? Motivo eu nunca dei. Você me avisar, me ensinar, falar do que foi pra você, não vai me livrar de viver.
Quem é mais sentimental que eu? Eu disse e nem assim se pôde evitar. De tanto eu te falar, você subverteu o que era um sentimento, e assim fez dele razão pra se perder no abismo que é pensar e sentir.
‘Ela é mais sentimental que eu, então fica bem se eu sofro um pouco mais’
-Se ela te fala assim, com tantos rodeios, é pra te seduzir e te ver buscando o sentido daquilo que você ouviria displicentemente. Se ela te fosse direta, você a rejeitaria.
Eu só aceito a condição de ter você só pra mim. Eu sei, não é assim, mas deixa. Eu só aceito a condição de ter você só pra mim. Eu sei, não é assim, mas deixa eu fingir e rir.
Bons tempos de Centro Comunitário.

“Ausente o encanto antes cultivado, percebo o mecanismo indiferente que teima em resgatar sem confiança a essência do delito então sagrado.
Meu coração não quer deixar meu corpo descansar, e teu desejo inverso é velho amigo, já que o tenho sempre a meu lado. Hoje então aceitas pelo nome o que perfeito entregas, mas é tarde. Só daria certo aos dois que tentam, se ainda embriagado pela fome, exatos teu perdão e tua idade, o indulto a ti tomasse como bênção.
Não esconda tristeza de mim, todos se afastam quando o mundo está errado, quando o que temos é um catálogo de erros, quando precisamos de carinho, força e cuidado…”
Achei bonito apesar da carga de tristeza.
Começou a sentir muita falta do Tom. Lembrava cada vez mais das tardes sentados no concreto quente:
- Aprendi você em uma música nova
Valentina achava lindo ele afinar seu violão em um tom a menos só pra suas melodias encaixarem. Lembrou com uma dorzinha no coração o início de acordes menores, que depois de um tempo foram agigantando-se, ganharam notas setimadas, e foram diminuindo novamente até que não houvesse mais melodia, só as letras afiadas pela tristeza.
Ela julgava cruel a ópera terminar assim, era um final incompatível com o alaranjado do céu. Dizem que Tom seguiu amargando sem música por uns tempos, depois recuperou seus sustenidos, mas só tocava acordes menores: não acreditava que um 7 entraria em suas cifras outra vez.
Remorso. Valentina sentia. Pagava caro por ter escolhido não ser Maria, e ter levado as fotografias. Nunca mais seria a garota de Ipanema, abandonara a primavera.

Sentados no carro enquanto a inesperada chuva passava acenderam seus cigarros e terminaram as latinhas de cervejas iniciadas ainda na rua. Ela já havia ouvido tudo que precisava sobre seu amor à distância para concluir que era hora de Miguel esquecer, lhe doía. Enquanto Jeneci entoava seus acordes menores e eles sufocavam devagar suas angústias, Miguel dizia à Valentina que era exatamente no ostracismo que ela deveria cimentar seus medos e amores.
E ao cair da última folha de bambu junto ao pesado pingo d’água no parabrisa, agora encoberto por fora, enevoado por dentro, concluíram: não irão mais sentir. Conclusão dilacerada poucos dias depois, quando se abraçaram com os olhos embotados de padê e lágrimas.

Atravessaram a Augusta em busca da sala 5 do cinema Unibanco. Se detiveram no beco escuro disfarçado de corredor para para admirar os cartazes que demorariam meses para chegar em sua cidade e talvez nunca estreassem na cidade dela. Riram juntas. Valentina hesitou por um instante: não acreditava que estava pra ver, com Alegria, o mesmo filme que partira seu coração há poucas semanas atrás.
No cinema de uma escuridão diversa daquela do beco, a atriz realmente assumia uma outra face e, sobretudo, uma interpretação diversa do cisne já assitido e supostamente desvendado.
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Sonhei contigo essa noite. E foi sonho mesmo. Sonho lindo de não querer acordar. Fico feliz que eu tenha deixado de ter aqueles pesadelos horríveis nos quais você chorava ou passava apuros e eu me escalpelava pra pra te salvar ou proteger e não conseguia. Enfim, sonhei contigo.
Estávamos eu, você, o meu irmão leonino, o seu irmão e a sua mãe. Acho que era a nova casa da minha família no condomínio. Não conhecia aquela casa mas era tão aconchegante e minha… O clima era de proscrição, letargia, uma neutralidade imensa. Mas havia algo muito especial nesse neutro, não sei o porquê, de alguma forma era como se toda a tristeza tivesse sido eliminada, e estávamos lá, nós 5, com a clara sensação que em breve viria uma felicidade imensa a nos arrebatar. Queria ter os seus olhos pra enxergar a cor das auras naquele momento.
5 expectadores de um jardim, olhando através de uma janela imensa. Era mais noite que tarde, mas ainda podia-se sentir o sol. O jardim era composto por inúmeros arbustos de roseiras e seixos, que estavam laranjas devido ao crepúsculo. As roseiras estavam repletas de enormes rosas vermelhas que a princípio não dávamos muita atenção.
De repente o sol sumiu inteiramente, quando surgiu uma imensa lua crescente. Foi então que alguém disse: “Olhem, vai começar o espetáculo das rosas perfumadas” . Logo em meio às rosas vermelhas começavam a surgir muitos botões de rosas brancas que iam desabrochando bem na nossa frente. Ao mesmo tempo um perfume maravilhoso começa a envolver todo o ambiente e ficávamos tão felizes. Tão imensamente felizes. E aí as rosas brancas, que não eram rosas comuns, porque tinham o interior púrpura, começavam a crescer. E os arbustos desapareciam em meio às rosas brancas enormes e perfumadas.
Não fartas de tanta beleza e magia, as rosas brancas começavam uma espécie de movimentação, quase uma dança, bem suave… acho que era o próprio vento perfumado delas que provocava isso. Sem que tirássemos os olhos delas, enquanto se movimentavam, deixavam de ser brancas, e passavam a ser azuis, matizes de azuis até o azul bem escuro. E brilhavam muito, muitíssimo, e não há palavras para escrever os sentimentos maravilhosos que tomavam conta de nós, não havia dor naquele jardim, não havia tristeza, não havia angústia ou espera. Havia sensações divinas e cores vivas.
Fui então pesquisar o que significa sonhar com rosas. Sonhar com rosas brancas significa felicidade em família. Rosas vermelhas, amor correspondido. Jardim de rosas, possibilidade de viver momentos de muita felicidade. Ver rosas em um sonho é sinal de felicidade e muito carinho no amor.
Por mim sonhava todo dia com rosas e amor.
E minhas noites são cada vez mais longas.
É como se cada minuto fosse um grão de areia que entra na ostra e deixa uma ferida.
As horas passam. As feridas aumentam.
Mais uma vez o tempo se impõe e me surra violentamente. Me lembrando o que eu já sei. Não devo esperar.
Esperar que os gritos de solidão que me povoam sejam abafados pelo som da sua voz que não ouço. Eu apenas leio o que você diz.
Não devo esperar que nada aconteça.
Por que é quando eu menos espero que tudo acontece. Que o telefone toca. Que eu encontro quem eu não esperava encontrar.
E foi quando eu menos esperava que você apareceu. Preciso aprender de uma vez a não mais esperar. Quem sabe assim eu consiga te ver chegar e me ajudar a pendurar nossos quadros. A decidir se vamos sair ou se vamos dormir.
Não quero mais esperar.
Não quero horas intermináveis e minutos dilacerantes.
Quero que esse grão de areia se transforme em pérolas únicas e perfeitas.
São muitas noites. São horas incauculáveis.
E quero pérolas proporcionais a cada minuto que insisti em esperar.
TIC TAC.
Terei as minhas pérolas.
Terei você. Aí mesmo, perto do mar.
E nele jogaremos uma fortuna em pérolas.
Vamos viver os minutos, de mãos dadas.
Sem mais nada pra esperar.